Fazendo do mundo um lugar mais feliz

Todos somos irmãos. Cada um com sua particularidade. O foda do meu trampo, é poder colocar todas as classes sociais no mesmo lugar e fazê-los rir da minha cara, JUNTOS.cropped-logo-milho.png


 

Untitled-2Olá “gentes pessoas”.

E as coisas? Como andam? Com as pernas, não é mesmo?

Enfim, piadas extremamente “engraçadas” a parte, estou extremamente surpreso pelo que aconteceu esta semana. Na verdade, nestes últimos tempos.

wpid-img_20141010_010623.jpgAno passado, após 10 anos de batalha, consegui realizar aquele que considerei o maior sonho de minha vida: trabalhar com o Cirque du Soleil.

Tinha tudo para ser “a experiência do século”. E foi, durante algum tempo.

Mas, como nem tudo é perfeito, vi como uma empresa, que ganha muito dinheiro em suas produções, fazia para ter ainda mais dinheiro tentando manipular essa ou aquela situação.

É inegável que, em uma grande produção, o maior custo é o salário dos artistas. Se você é uma empresa séria, também deverá arcar com a hospedagem e a locomoção de sua trupe. Sendo assim, você aproveita o nome que tem e usa isso a seu favor: “veja, você deveria ter um salário maior, mas pense que, trabalhando conosco, seu nome estará em evidência. Você terá propaganda dobrada além de trabalho.”

DSC01944Ou seja: você é artista. Quer mudar as injustiças do mundo. Diz a todos que “devemos fazer algo”. Mas em sua vida, você aceita que façam o que quiserem com seus sonhos.

Ainda escreverei um texto contando detalhe por detalhe sobre minha saída daquela que para muitos é a “companhia dos sonhos”. Poderia ser. Mas não é.

Essa breve apresentação é para dizer que, ao sair de lá, fiquei sem rumo. Un tanto desesperado. Como sempre, as pessoas julgam sem saber e você, no “meio do furacão”, se sente “o problema” e não analisa corretamente as injustiças que estão fazendo contra você. Você tenta escutar a maioria para aprender a “viver em grupo”. Mas a maioria unida geralmente é estúpida e burra.

DSC02037Sem trabalho, me vi obrigado a voltar para a rua. Fazer espetáculos para “passar o chapéu no final”. Essa seria minha renda para o ano seguinte. Trabalharia durante o verão para poder ter dinheiro e ficar tranquilo no inverno.

Muito mais experiente, conhecendo o público diante de mim, vivi momentos memoráveis nas ruas da França. Aumentei o número de fãs. Drasticamente. Muitos têm seguido meu caminho. Alguns entenderam perfeitamente o que faço. Outros, “não estão nem aí”.

Infelizmente, ser artista independente tem um preço alto. A LIBERDADE TEM UM PREÇO. E não são todos que podem pagar.

DSC01729Em momentos muito difíceis, tudo vem à minha cabeça: desde o choro até o suicídio. Não poderia e não teria coragem de aceitar um “trabalho de gente normal” apenas para poder continuar minha subsistência.

Mas sou muito teimoso. Abandonar seria dar razão àqueles que estão ganhando agora. A vida é um jogo. E num jogo, ninguém ganha para sempre.

O mais difícil desse jogo é entender as regras. Muitas vezes, você pensa que entendeu tudo. Daí aparece uma nova regra e é como se o jogo recomeçasse. Do zero. Você tem a impressão de que está totalmente cansado de ter que fazer o mesmo caminho outra vez.

Daí, você se recorda que, um dos maiores conselhos da escola de teatro e palhaço é que, para nunca entrar na rotina, você deve sempre encontrar uma nova forma de fazer a mesma coisa.

Se você vai escovar os dentes apenas para mantê-los limpos, com certeza essa tarefa simples e cotidiana se transforma em algo enfadonho e sem graça.

No teatro, trabalhamos com o “COMO”.

DSC01882“COMO seria se, hoje fosse o último dia de sua vida? Você deve escovar os dentes para se despedir de seu grande amor.”

Logo, uma tarefa simples ganha um novo sentido. Uma nova razão.

A maioria das pessoas vive no automatismo. Tudo tem que dar exatamente certo. Programam tudo e vivem frustrados pela falta de dinheiro.

Também tive meus momentos em que pensava: “caraca! seria bom se ao final deste espetáculo o público me pagasse um pouco mais.”

Com toda a sinceridade do mundo, toda vez que pensei em ganhar alguma coisa, minha profissão nunca funcionou.

Quando estou em cena, não penso em quanto estou ganhando financeiramente mas em quanto estou sendo importante para aquela pessoa que está me assistindo.

Sempre acreditei que o trabalho é recompensado. Uma hora ou outra. Só que às vezes, a fome bate e por falta de grana devemos encontrar uma solução para não morrer. O dinheiro ganha importância. Se você se deixa levar pelos momentos difíceis, as decisões que tomou, se você não se questionar, pouco a pouco se deixará levar pelo automatismo da sociedade. “O dinheiro é meu patrão”. Preciso dele para fazer tudo que quero. ISSO É MENTIRA! Você não precisa de dinheiro para ser feliz.

DSC01967A felicidade está naquela música que te faz dançar sempre que você a escuta. Naquele pôr-do-sol fantástico. Naquele gentil “bom dia” daquele atendente sorridente. No abraço demorado da sua vó. Naquela velha agenda de quando você era criança. Naquela olhada no espelho em que a gente se sente sensacional, imbatível e lindo.

Aprendi que tudo tem sua importância. Tudo o que acontece tem o seu porquê.

Às vezes, infelizmente não estamos preparados para entender os “porquês do mundo” porque estamos muito preocupados querendo ganhar dinheiro ou pagar essa ou aquela conta.

Estou feliz por, pouco a pouco reencontrar o meu começo. As minhas origens. E ver que, fiz a escolha certa quando todos me diziam que eu estava fazendo besteira atrás de besteira.

DSC01835A grande besteira que fiz, da qual não me arrependo nem um segundo, foi ter escutado meu coração e deixá-lo me guiar “não sei pra onde”.

Neste exato momento, estou aqui, na garagem de uma família francesa que há dois anos me oferece estadia gratuita. Em troca, ajudo nos serviços da casa, às vezes cuido das crianças, às vezes estou regando o jardim. No aniversário de um dos pequenos, dei o meu melhor presente: um espetáculo para ele e seus amiguinhos. Resultado: todos felizes e mais do que contentes.

Não sei ao certo onde quero chegar porque meu coração nunca me diz exatamente onde iremos. Não sou aquele cara que tem casa, carro e um plano de previdência. Talvez morrerei velho, mendigo e na sarjeta. Esse é meu grande medo. Mas se de verdade isso acontecer um dia, vou ter uma caralhada de boas histórias pra contar. A maior honra para um grego, é ser lembrado na história. Espero poder ser lembrado um dia como aquele que conseguiu, mesmo que só um pouquinho, mudar o mundo.

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