5. Impor ou aceitar imposições? Parte 1

Então, diante de todo o elenco do circo e cheio de pressão, não contive a raiva e explodi: “se você não està contente com meu trabalho, mande-me embora, BETO ANDRETTA.”
NOTA DO AUTOR: Antes de começar esse capìtulo, preciso frisar que fui advertido. Quero dizer, posso ter problemas pelo que vou “dizer” aqui. Mas quer saber? Vou me impor sò pra variar…
Ah! Mais uma coisinha: os nomes serão substituìdos para que evitemos processos e tals.
 
Boa leitura!

PARTE 1

Era janeiro. Verão e estàvamos na cidade de Caraguatatuba, em uma praia.

Não! Não estou falando de férias. Estou falando de um trabalho que tinha tudo para ser o mais lindo e perfeito do mundo.

Circo Roda Brasil

O circo havia terminado a temporada na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Ficamos dois meses instalados no Memorial da América Latina. O espetàculo que fazìamos era um sucesso de crìticas e elogios.

Lembro-me que na noite de estréia, diversos circenses foram “prestigiar” os novos artistas e o novo espetàculo, (OCEANO), de uma das companhias mais importantes e influentes de São Paulo, os PARLAPATÕES. O circo se chamava CIRCO RODA BRASIL e era comandado pela PIA FRAUS e pelos “PARLAPATRÕES”.

Para explicar bem as crìticas, comentava-se que, pelo fato desse circo ser patrocinado por uma grande empresa e receber muita grana para investir nos espetàculos, especulava-se que… Bem, diziam os circenses “pelo dinheiro que se ganha, esse espetàculo poderia ser melhor. Um verdadeiro SOLEIL BRASILEIRO”. Para o pùblico, pude comprovar que foi realmente màgico o universo produzido pelo espetàculo que fizemos. As pessoas chegavam desacreditadas e saìam embasbacadas. Posso falar com conhecimento de causa pois saìa para tirar fotos ao final do espetàculo e via a reação das pessoas. Era emocionante.

"Menino do Patinho"

Entretanto, [particularmente], acredito que apòs ficar quase 3 anos e meio nesse circo, estou pendendo mais para o lado dos circenses…

Quando o “cubano” me chamou para trabalhar e fazer o teste, pensei que essa seria a “oportunidade de ouro” para “me fazer” na vida artìstica, afinal, era meu primeiro trabalho profissional.

Não é a toa que me machuquei logo na primeira semana de ensaios, afinal, queria mostrar trabalho. Queria fazer valer a pena. Queria ser o profissional exemplar. E acima de tudo e mais importante, honrar o nome do “cubano” que me indicou para esse trabalho. Aqui vai uma dica importante: quando você for indicado por alguém, faça valer a pena a indicação pois é certo que outros trabalhos virão depois desse e “queimar” o nome de quem te indicou não é nada profissional. Quero dizer que você deve doar-se um pouco mais do que o combinado, assim, outras portas se abrirão. Mas atenção: NÃO SE DEIXE SER EXPLORADO! Porque eu fui E MUITO.

Sem experiência e com muito desejo de agradar, aceitei diversas humilhações. Fiquei com diversas dìvidas e no final fiquei com um imenso òdio no coração. Hoje, o “òdio” foi embora, mas “juro de pé junto” que jamais, eu repito JAMAIS trabalho novamente com esses caras. Dizem meus amigos pròximos: “cara, não feche as portas pois nunca sabemos o dia de amanhã.” Respondi e respondo: “se eu precisar deles de novo para sobreviver, prefiro entrar num trabalho de “gente normal”, tipo, prostituição. Serà muito mais digno.” Deu pra perceber que o òdio foi embora né? :o)

As històrias são diversas. Algumas parecerão exagero de tão descabidas. Mas são reais. E nada de pensar que sou um santo. Tenho minha parcela de culpa, afinal, SÒ FAZEM CONOSCO O QUE ACEITAMOS QUE FAçAM. Imponha-se!!!

HUGO POSSOLO era o diretor artìstico, aquele que dà ordens e cria as cenas para o espetàculo. RAUL BARRETO era o cara das finanças. Era o “gente boa” até falar de dinheiro. BETO ANDRETTA era o cara que cuidava de toda parte estrutural, desde o montar da lona até a gerência de toda a estrutura. Claro que, eles delegavam funções para terceiros e chegavam muitas vezes para dar simplesmente a famosa “comida de rabo”.

Nos ensaios, HUGO, BETO e RAUL começaram a mostrar suas “garrinhas” comigo. Gritos desnecessàrios e piadinhas pessoais.

Quando um chefe faz uma piada de/com você diante de outras pessoas, não ria. Mostre seriedade e não tente bancar o “engraçadão”, mostrando que é igualmente engraçado. Ele aceitarà sua piada naquele instante, mas aì, exatamente aì, você estarà assinando o seu “atestado de encheção de saco eterno”, pois você, com essa simples ação de tentar ser “legalzão”, esta dando intimidade e liberdade. E jà diria o poeta: “dê o cu, mas não dê intimidade.”

Então começaram os apelidos. Nessa época, pouco a pouco os artistas começaram a se afastar de mim. é claro, comecei a ficar na defensiva. E com razão: não tinha um sò ensaio que eu não era motivo de chacota ou gritado pelo POSSOLO.

Um dia, ele começou a gritar tanto, mas tanto, que eu estourei: “ow! Se você continuar gritando assim eu não entendo. Venha aqui e faça no meu lugar assim eu entenderei. Se você quiser até te copio. Mas se continuar gritando eu não funciono.” A resposta dele foi: “tà, mas não precisa chorar.”

Nesse momento até escutei piadinhas dos artistas, (“Ai!” “Nossa!” “Se lascou!” “Tomou!” E por aì vai. E todo mundo sabe que quando estamos no auge da raiva, um simples olhar é o suficiente para nos explodir. Imagine um “Vixe!”?), mas nem liguei. Ele calmamente subiu ao palco, explicou e voltou. Eu entendi e o ensaio prosseguiu.

Eu particularmente tenho um certo problema para aprender coisas. Aprendo, mas devo repetir muitas vezes para fazer a informação “entrar no cérebro”. Esse é meu perfil. Se você tem um problema para aprender, não faça de qualquer jeito. Por mais ridìculo que possa parecer, é melhor dizer “Não entendi!” e ver uma careta, que dizer “Entendi!” e ouvir um grito depois por errar. E se você repetir que não entendeu e continuar vendo caretas, pergunte se incomoda você ser interessado em querer fazer bem o trabalho para a empresa dele. Essa sempre funciona.

Na pausa do ensaio, meu grande erro nesse dia foi ter aceitado  tomar um café com ele e pedir desculpas. Disse que havia me estressado e me desculpei. Ou seja, em casos assim, de explosão, NUNCA VOLTE ATRàS. Parece ilògico, mas não diga nada. Deixe seu superior vir falar com você. E se você for demitido, (caso extremo), bem, ou você se rasteja e implora perdão (porque é isso que esse tipo de chefe quer escutar e ver), ou você sai de cabeça erguida e continua sua jornada em busca de um emprego decente. Bem, eu rastejei e fiquei.

Com o RAUL BARRETO e Wallace em cena

O legal era que, quando um dos três ia dar uma “bronca” em algum artista, ou chamavam de canto, ou falavam rindo, o que transformava a bronca em um “toque” ou “feedback”. Quando iam falar comigo, era “chulapada em cima de chulapada”. Aceitei uma vez e acostumaram. Virei o “bode expiatòrio” do grupo. Aquele que leva broncas mesmo quando està com a razão. Aquele que os chefes usam para mostar a equipe que comandam: Tenham medo! Vejam o que faço com ele! Se vocês não fizerem o que mando, acontecerà o mesmo com vocês!”

Fim da 1ª parte

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