7. O Descanso – Aprendendo a escutar seu corpo

“e num instante você esta a mil. E no dia seguinte, cansado. De tudo.”


A vida de um artista circense não é facil. Os artistas profissionais muitas vezes chegam a fazer jornadas diarias de muitas horas de treino, (a minha pode variar entre 6 e 10 horas), como os ginastas olimpicos. E tudo isso para que? Para o publico. Ele é o nosso juri.

Mas é importante saber que nao somos maquinas. Não somos “programados para treinar”. Logo, faz-se necessario escutar o corpo. As vezes estamos tao obstinados em alcançar um resultado que esquecemos algo: antes de tudo, quando fazemos arte, devemos nos dar prazer em primeiro lugar. So depois de acreditar veementemente no que você faz, é que pode passar ao seu publico o que esta sentindo. O publico por sua vez, nao quer saber o que esta atras de um espetaculo: as muitas jornadas de ensaio, o tempo gasto com o figurino, iluminação, musica… Enfim, tudo que engloba um show. O publico quer vir, divertir-se e partir.

Atualmente, com o “boom” de “stand-ups” e espetaculos cômicos, ninguém mais vai ao teatro para assistir a um drama. Afinal, é tanta “gente ruim que pensou que fazer drama é fazer novela”, que afastou esse “seleto grupo” dos teatros.

Hoje nao se busca mais pensar. O publico não quer mais pensar. Ele quer apenas rir e esquecer as mazelas que rodeiam sua “pacata” vida.

Na época em que estava na escola de teatro, (SENAC), era essencial criar um “teatro politico”, que tivesse como “pontos-fundamentais” duas diretrizes:

* pensar;

  • deixar uma mensagem.

Muitos sao contra essa forma de pensar, “que o teatro deva passar uma mensagem”. Ora, você sai da sala de apresentação com uma opinião. Se gostou ou nao gostou. Agora, se sair indiferente… Ai aparece o trabalho do ator mediocre. O pior, é que hoje em dia, as pessoas sao condicionadas a pensar que foi “engraçado” e sao submetidas a um consenso de que “foi bom”, quando na verdade, nada “aprenderam” com “aquele(s) sujeito que estava la em cima”, no palco.

Tudo isso é para dizer que, se o publico se perde em espetaculos cada vez mais apelativos, isso tem um unico culpado: o artista. A cada dia, o negocio é “estar na novela, no filme, na tv”. É isso que todos almejam porque todos querem ser “super-stars”.

Estranhamente, escolhi ser Palhaço. Ser o cara que com certeza te fara rir, mas em contrapartida, ira te “falar” algumas coisas que te farao refletir. Eu acredito nessa função social do Palhaço. Um artista deve existir para a sociedade e não para viver da sociedade. A diferença é que na primeira, você dà toda sua vida, sua existência em troca de um simples aplauso.

O mundo esta muito careta. Todo mundo tem respostas pra você. Estranho ne? Você deveria ter todas as respostas pra você mesmo, afinal passa 24 horas por dia “com você mesmo”. Não estou falando que você não deva escutar ninguém. Esse é outro equivoco: não é porque “eu sou original”, que signifique “sou surdo”. Perdeu-se um pouco o senso do “e se?”. “E se ele estiver certo?” Ninguém gosta de admitir um erro. Ué, eu nao erro, sou perfeito. Dai você se desculpa falando que nao sabe ou que não consegue. Outra desculpa. Enfim, a gente mete uma barreira diante de nos para nos proteger de uma critica.

Ja disse milhares de vezes: “escute seu coração”. Hoje direi: “escute seu coração, mas APRENDA A PONDERAR AS COISAS. Não é sempre que você tem razao. As vezes, com quem você menos espera ou não quer, é que se aprende algo de muito valor.”

Voltando a escutar o corpo, diante dessa humilde reflexao, pode-se perceber que o autor desse texto esta em uma “especie de crise”. Ué? Os artistas vivem na crise. Devem viver no conflito para tirar grandes respostas para o seu publico a cada dia mais exigente.

E diante de tanta exigência e com o sentimento de “querer chegar la”, nos expomos ao apice do nosso ser. Queremos mais, porque sabemos que podemos dar mais. Dai você cai uma vez do trampolim… Tudo bem, foi um salto nao muito bem executado. Ai cai do mastro chinês… Bem, eu escorreguei. Entao faz um salto e sente o ombro. Vai montar uma escada e sente a virilha… Entao, diante de “tantos pequenos avisos”, o melhor a fazer é ACEITAR que deve descansar.

Para uma pessoa como eu, obcecada pelo resultado, descansar é uma palavra que “não pode fazer parte do meu dicionario.” Na verdade, ela não poderia. Mas ela faz. Do dicionario de todos. Quero dizer, que as vezes, por mais ilogico que pareça, o mais logico é nao fazer nada. Nao treinar, nao alongar, nao pensar no circo, no teatro, na empresa, nos filhos, na familia… Por mais dificil que seja ficar “longe de tudo isso”, as vezes se faz necessario “um dia pra você”. Onde você não faz e nao pensa em nada. Simples assim.

Da ultima vez que eu nao fiz isso, tive uma fratura exposta no tornozelo direito. Sinto que, as vezes, para dar dois passos a frente, é necessario parar, dar alguns passos para tras, tomar impulsao e ir muito mais longe.

Mesmo com meu ego, espirito e cerebro me dizendo: “amanha dia de trabalho normal”, acredito que, irei levar um atestado pra eles dizendo: “estou gripado. O médico me deu dois dias de atestado.”

MILHO BAUNILHA
MILHO BAUNILHA

ESCUTE-SE. O UNICO A GANHAR, é VOCÊ MESMO.

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